Receba nossa newsletter por e-mail
Receba as principais informações publicadas no portal.
Assinantes contam com conteúdo exclusivo
 

Vale do Genoma é modelo para unir pesquisador e empresa

Ecossistema em genômica e inteligência artificial de Guarapuava busca desenvolver pesquisas sob demanda da iniciativa privada e com participação de profissionais de todo o Paraná
vale-do-genoma-e-modelo-para-unir-pesquisador-e-empresa-portal-futurista

Cancer Center de Guarapuava abriga ala de quimioterapia e Ipec (Foto: Geraldo Bubniak/Agência Estadual de Notícias)

O lançamento do Vale do Genoma em Guarapuava, região central do Paraná, pretende se tornar um modelo de governança a ser seguido para a organização de um ecossistema de inovação e empreendedorismo em uma chamada hélice quádrupla, que une sociedade civil, universidades, empresas e governo. A iniciativa se propõe a aproximar pesquisadores e empresários dispostos a desenvolver soluções de base tecnológica em genômica e inteligência artificial, para a aplicação em saúde, nutrição, biotecnologia e agronegócio. 

O principal diferencial é a conexão entre academia e iniciativa privada, por meio de um Novo Arranjo de Pesquisa e Inovação (Napi). O conselho que administra o Vale do Genoma levantou, em seis meses, 270 pesquisadores de 23 universidades e instituições de pesquisa de todos os cantos do estado, que apresentaram 97 linhas de estudo em 13 áreas da genômica. O objetivo nos próximos meses é fazer apresentações de cinco minutos, ou “elevator pitches”, dos projetos para empresários que atuam no setor. 

Assim, a expectativa é criar roadmaps tecnológicos que unam pesquisadores e empresas no desenvolvimento de soluções para o mercado. Ainda, a proposta terá um venture builder, uma organização que compartilha recursos operacionais e intelectuais e fomenta propostas inovadoras. 

Participam do conselho administrativo o governo do estado, por meio de representantes da Superintendência Geral de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (Seti) e da Fundação Araucária, os institutos de tecnologia de Guarapuava Instituto para Pesquisa do Câncer (Ipec) e Centro de Inovação no Agronegócio (Ciag) e as instituições ligadas a empresas privadas Fundação Shunji Nishimura de Tecnologia e Associação Cilla Tech Park.

ESCOLHA DO LOCAL

Assim como em outras regiões do estado, Guarapuava é forte em empresas de setores como agronegócio, saúde e pesquisa, mas a vontade da sociedade civil contribui para que a cidade se tornasse a sede de um projeto como o Vale do Genoma, diz Luiz Márcio Spinosa, diretor de ciência, tecnologia e inovação da Fundação Araucária. 

“Não teremos uma delimitação regional, mas existiu ali uma convergência importante de esforços da academia, com a instalação do Ipec a partir da Unicentro (Universidade Estadual do Centro-Oeste), com apoio da prefeitura e da iniciativa privada, que implantou um hospital dentro da Cidade dos Lagos. Então, houve um esforço grande ali de toda a hélice quádrupla, sinergia mais avançada do que encontramos em qualquer outro lugar do estado”, afirma Spinosa. 

Ele lembra que o governo disponibilizará recursos para laboratórios, equipamentos e custeio de pesquisadores de todo o Paraná. “As empresas ajudarão a fomentar a pesquisa nesse sentido (de desenvolver soluções para o mercado). Não é apenas o governo bancando, porque pesquisa é algo caro. E a indústria, além de contribuir com impostos, investirá no que pode gerar negócio para ela. Para nós, é geração de emprego, renda e qualidade de vida”, explica o diretor da Fundação Araucária.

David Livingstone Figueiredo, presidente do Ipec e chefe do departamento de medicina da Unicentro, destaca que o Ipec tem a melhor plataforma de pesquisa de genômica do estado e uma das melhores do país. Apesar da sede física em Guarapuava, ele cita que o objetivo dos Napis é agregar estudos por áreas e permitir que pesquisadores toquem projetos individuais, mas em rede, para ter resultados melhores. “O grande paradigma que temos de quebrar é que a empresa não pode ser considerada o vilão para a pesquisa. O que eles querem é ensinar o pesquisador a dar respostas práticas para tornar os projetos de pesquisa realidade.”

GOVERNANÇA

Figueiredo conta que, depois de conhecer várias formas de governança de um projeto do tipo, foi buscar em Pompeia (SP) a expertise para comandar a união entre pesquisadores e empresários. A alternativa veio do Tsen Chung Kang, diretor de pesquisa e de novos negócios do grupo de maquinário agrícola Jacto, ligado à Fundação Shunji Nishimura.  

“A Jacto já vinha fazendo trabalho com USP (Universidade de São Paulo), Unesp (Universidade Estadual Paulista) e Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) desde 2019. O pessoal veio nos procurar e nos convidaram para participar. Não é nossa área, mas faz tanto sentido o projeto que não quisemos ficar fora, desde que pudéssemos dar nossa contribuição na parte estratégica, de governança”, conta Kang. 

Ele afirma que, como professor da USP, percebeu que o desenvolvimento de pesquisas e artigos científicos não atendia a iniciativa privada. “A universidade enxergava o empresário como cliente, mas a empresa não estava nem aí para o que era produzido na universidade”, diz. “Queremos quebrar esse ciclo de pesquisador fazer e empresa decidir se compra ou não. Isso funciona bem em produtos de varejo, mas pesquisa tem alto risco, alto investimento. Não posso ficar esperando e, se gostar, pegar.”

O diretor na Jacto afirma que a Lei Federal da Inovação, de 2017, facilitou a aliança, mas é preciso mudar a forma como as pesquisas são desenvolvidas. “É como se fossem dois sócios, dois parceiros. Não é uma relação de cliente e fornecedor. Têm de construir juntos.”

Kang é o responsável por organizar os “pitch days”, em que pesquisadores fazem as apresentações das linhas de pesquisa a empresários interessados. Foram 44 representantes da iniciativa privada somente na primeira data. Ainda é possível se inscrever no perfil do Vale do Genoma, na plataforma Mentto.

“Vamos chamar empresas que têm interesse específico e vamos formar parceria com pesquisadores que estão na linha de interesse. Depois que definirmos os projetos, o governo vai apoiar esse tipo de pesquisa e teremos bons pesquisadores de um lado e demanda do outro”, explica Kang.

LEIA MAIS:

PPP com universidade abre caminho para novos produtos

O que você achou disso?

Clique nas estrelas

Média da classificação 5 / 5. Número de votos: 6

Nenhum voto até agora! Seja o primeiro a avaliar este post.

COMPARTILHE

Compartilhar no facebook
Compartilhar no twitter
Compartilhar no whatsapp
Compartilhar no linkedin

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

CONFIRA TAMBÉM

Acesse sua conta