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SUSTENTABILIDADE

Startup une forças locais para acelerar biousina

Projeto de fábrica de insumos vivos para controle de pragas vence edital da ABDI e recebe R$ 300 mil para entregar protótipo em sete meses, com participação de três governanças de Londrina
Fábrica de insumos vivos para controle de pragas vence edital da ABDI e recebe R$ 300 mil para entregar protótipo de biousina em sete meses

Joan Brigo Fernandes pesquisa produção de controle biológico de pragas e comanda iniciativa (Foto: Divulgação)

O desenvolvimento orgânico de uma startup normalmente demora, mas, por vezes, é acelerado quando encontra um ambiente que proporcione as condições ideais de temperatura e pressão. É o caso da Usina Biológica Soluções para Agricultura, projeto londrinense que busca criar biodefensivos em um ambiente totalmente controlado, com uso de inteligência artificial (IA) e com possibilidade de reprodução em grande escala e à distância, por todo o país.

A startup foi formalizada em julho e selecionada no último dia 1º pelo Programa Agro 4.0 da Associação Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI) como um dos 14 projetos que receberão, somados, R$ 4,8 milhões para desenvolver soluções com tecnologias 4.0. A biousina receberá R$ 300 mil e terá sete meses para mostrar um protótipo.

Mas são as condições que possibilitaram que a iniciativa ficasse com o primeiro lugar na categoria insumos que diferenciam a biousina. O CEO Joan Brigo Fernandes conta que a startup é a união dos conhecimentos técnicos no agronegócio, em metalmecânica e em tecnologia da informação e comunicação (TIC), todos setores que estão entre os mais organizados do ecossistema de inovação de Londrina.

“O primeiro passo foi os desenvolvedores entenderem processos biológicos de produção rural, o que o produtor precisa na prática no campo. Depois, pensamos em desenvolver um software realmente aplicável à realidade do campo, tanto que chamamos a estratégia de biodigital. E, na questão de maquinário, com a Vertron, podemos resolver a questão do hardware”, diz Fernandes. A Sociedade Rural do Paraná (SRP) aparece como instituição parceira no projeto apresentado à ABDI, e a Embrapa Soja e a Universidade Estadual de Londrina (UEL), com pesquisadores que integram o conselho técnico.

O próprio CEO da biousina foi estagiário na Embrapa e mestrando na UEL. Foi assim que ele começou a idealizar a possibilidade de trabalhar com controle biológico de pragas e aprendeu a primeira lição ao pensar em abrir uma startup. “Atuo no mercado com consultoria e manejo integrado de pragas e trabalhamos com as expectativas dos produtores para agora, mas não adianta começar a fazer o que eles querem para agora. Temos de pensar no futuro.”

Ao participar em 2019 da AgroBit, considerado o maior evento de tecnologia para o agronegócio do país e realizado em Londrina, ele conheceu o projeto da Vertron, uma spinoff da indústria de refrigeração Indusfrio que desenvolveu uma câmara de brotação para cultivo de cana-de-açúcar, em ambiente controlado. “Na Embrapa e na UEL, criávamos insetos em câmaras de germinação, mas sem controle de umidade, sem controle de ajuste de sensor. Olhei a câmara deles, que tem controle mais fino e que serviria para insetos benéficos, hospedeiros e predadores”, cita Fernandes.

A Vertron entrou como parceiro de hardware e a Indusfrio, como investidor-anjo. O diretor de inovação da SRP, Geroge Hiraiwa, também figura entre os apoiadores da ideia, ao ajudar com a visão de mercado. Com o edital da ABDI, surgiu a chance de acelerar o protótipo da startup. “Em maio o Ministério da Agricultura lançou o Programa Nacional de Bioinsumos e esse programa é muito importante porque visa a sustentabilidade do agro”, afirma Hiraiwa. “Enxergamos essa tendência e esse é nosso trabalho, mas logicamente que, como em qualquer negócio, tem uma fase de mão na massa de todo mundo”, completa o diretor de inovação da SRP.

OPORTUNIDADE
Para o diretor de novos negócios da Indusfrio e fundador da Vertron, Sérgio Henrique Pacheco, o projeto da biousina foi a chance de abrir uma nova vertical na empresa. “Comecei a estudar o controle de ambientes climatizados e percebi que dava para entrar em outras culturas, com testes em flores, árvores e insetos”, afirma. “A usina caiu como luva, porque é em Londrina e tenho a facilidade de enviar técnicos para adaptar a câmara quando preciso”, explica.

Pacheco diz que foi então preciso ir atrás de um profissional de TIC para dar o foco técnico à startup, profissional que Hiraiwa diz que pode se tornar sócio futuramente. “Esse conceito de agricultura em ambiente controlado é o que falam de fazendas verticais. É uma tendência. Não vem a substituir a agricultura convencional, mas vai agregar e é um caminho para o Brasil”, completa o diretor de negócios da Indusfrio.

Ao completar um ano de empresa com CNPJ, Fernandes pretende apresentar uma fábrica de organismos vivos que trabalhe no controle de pragas e que possa ser reproduzida, até o fim de junho de 2021. “Estamos muito atrelados ao movimento do Brasil, da agricultura, e olhamos a tendência de mercado, que é o controle de pragas e o que o consumidor vai começar a exigir, com uma produção mais sustentável e rastreabilidade total dos alimentos”, diz Fernandes.

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