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QUALIFICAÇÃO

Profissionais de outras áreas ‘migram’ para a tecnologia

Seja para mudança de carreira ou para se atualizar em um mercado de trabalho competitivo, aumenta a busca por conhecimento de novas tecnologias
Seja para mudar de carreira ou se atualizar em um mercado de trabalho competitivo, aumenta a busca por conhecimento de novas tecnologias

O microbiologista Gustavo Manoel Teixeira aprendeu programação para aplicar inovação às suas pesquisas de mestrado e doutorado (Foto: Arquivo Pessoal)

A grande oferta de vagas nas áreas relacionadas à tecnologia associada aos altos salários oferecidos à escassa mão de obra disponível tem atraído profissionais atuantes em outras atividades para o setor. Profissionais de outros ramos também buscam conhecimento de ferramentas digitais para inovar em suas áreas de atuação e alavancar a carreira em um mercado de trabalho cada vez mais dinâmico e competitivo. Especialistas dão orientações para quem quer mudar de ares ou aplicar as tecnologias ao seu trabalho.

Cristiano Teodoro Russo, professor e head de inovação na Hotmilk da PUCPR em Londrina, afirma que o contato com novas tecnologias é importante hoje para qualquer profissional e em qualquer área, o que não significa que todos precisem aprender programação, por exemplo. “É importante conhecer as ferramentas que podemos usar no nosso negócio. A pandemia empurrou muitas empresas tradicionais para a busca de alternativas no universo digital, nos marketplaces, com o varejo muito pressionado nesse sentido. Na outra ponta, profissionais se viram cobrados por habilidades tecnológicas.”

Para quem deseja migrar para esse mercado, Jacques Duílio Brancher, coordenador do curso de computação e da pós-graduação em Big Data e Machine Learning da Universidade Estadual de Londrina (UEL), pede que a decisão seja amadurecida. Ele afirma que há carreiras na área que não demandam conhecimento profundo de tecnologias, mas ao menos destreza em software ou linguagem de programação específicos. “Na sequência (do processo de decisão) é preciso procurar o roadmap, uma espécie de mapa que vai mostrar quais caminhos a serem percorridos para se chegar ao conhecimento de uma determinada tecnologia, ferramenta ou linguagem. O importante é não se assustar com o caminho a ser percorrido e colocar a mão na massa.”

Russo lembra que existem os caminhos tradicional, da graduação, ou o mais compacto, com cursos técnicos e especializações. “Não tem atalho. Tem de estudar e procurar uma instituição que tenha cursos de graduação ou de especialização, ou em ambientes do Google, Microsoft e Oracle, que oferecem cursos bem curtos e que exigem conhecimento prévio”, diz.

“Para facilitar, procure identificar um possível projeto que você queira desenvolver na área, começando com algo pequeno, e aprenda fazendo. Existem sites especializados em cursos de tecnologia e afins com valores bem convidativos, como a Udemy e a Udacity”, complementa Brancher.

Mesmo para quem deseja alavancar as habilidades na atual atividade, a capacitação tecnológica é um diferencial. “É comum empresas que incluem no perfil profissional que procuram conhecimentos específicos da área de tecnologia”, afirma Brancher. Já Russo lembra que a PUC-PR lançou recentemente o Hotmilk Academy, que oferta cursos de curta duração, com conteúdo denso, para ajudar profissionais a conhecer o mercado de tecnologia antes de decidir sobre áreas para se desenvolver. “É para o desenvolvimento de habilidades em inovação, como criatividade, processos, para melhorar o entendimento de tecnologia na profissão.”

Jornalista, produtora audiovisual e professora, Milena Maganin está estudando programação para migrar de área de atuação (Foto: Arquivo Pessoal)

MIGRAÇÃO PROFISSIONAL

A jornalista, produtora audiovisual e professora Milena Maganin afirma que é apaixonada pelas atividades que desempenha, mas buscou capacitação na área de tecnologia e não descarta mudar totalmente de área. “Eu me sinto muito desvalorizada. Principalmente nos últimos anos, porque o audiovisual brasileiro e a cultura em geral vem sofrendo um baque nas políticas públicas, fechamento do Ministério da Cultura, Ancine (Agência Nacional do Cinema) parada…”

Por gostar de tecnologia e já ter sido webdesigner, ela considerou a possibilidade de se adaptar bem à nova área. “Com as altas demandas do mercado de TI, resolvi procurar alguns cursos na área para ver se me interessava de verdade. Como também tenho planos de me mudar do Brasil com minha família, achei bem mais promissor ir para essa área definitivamente.”

Maganin começou um curso de desenvolvimento web full stack na Gama Academy. “É o Gama Experience, um curso teórico e prático, bem mão na massa, baseado em projetos. São quatro meses de imersão em programação e nas etapas finais trabalhamos em grupo, com os colegas da parte de UX/UI Design, então rola essa uma integração dos ‘hackers e hipsters’, como eles chamam”, diz a jornalista

Ela espera conseguir uma recolocação logo e vai emendar uma pós em tecnologias e inovações web no Senac. “A Gama é oficialmente uma escola preparadora de programadores para empresas parceiras, então no fim do curso ocorre uma feira de contratações. Faremos entrevistas com essas parceiras e, tendo sorte, saímos do curso empregados. Estou apostando bastante nessas entrevistas.”

GRADUAÇÃO E PÓS

Após se formar em Zootecnia e fazer mestrado em Ciência Animal, ambos pela Universidade Estadual de Londrina (UEL), Laryssa Stephanie Andrade da Costa Silva resolveu mudar de área profissional. Escolheu a Análise e Desenvolvimento de Sistemas (TADS), e iniciou graduação na área em março deste ano pela UniFil. Antes disso, participou da seleção na residência no programa de Inteligência Artificial oferecido pelo Sistema Fiep no Senai de Londrina, em janeiro e fevereiro, e ficou entre os 15 aprovados. A residência começou em abril.

“Atualmente, tenho focado na migração para a área de Tecnologia da Informação, por isso decidi ingressar no curso de TADS e me preparar melhor para o mercado de trabalho”, relata.

O programa do Sistema Fiep capacita profissionais no uso de Inteligência Artificial para resolver desafios das indústrias parceiras. Ao final de 12 meses, o residente recebe o diploma de pós-graduação Lato Sensu em Inteligência Artificial aplicada à Indústria, pela Faculdade de Tecnologia Senai Londrina. “Desenvolvemos ferramentas para soluções de problemas de acordo com a necessidade dos clientes e patrocinadores do projeto, com base nos conjuntos de dados que eles já possuem”, conta Silva.

“Tem sido um grande desafio fazer a pós-graduação e a graduação em TADS ao mesmo tempo, porém acredito que, com esforço e dedicação, os frutos serão colhidos ao final dos dois cursos”, ela conclui.

NOVA REALIDADE

O microbiologista Gustavo Manoel Teixeira se formou em 2018 na UEL e emendou um mestrado e, agora, um doutorado com a incorporação da inovação nas próprias linhas de pesquisa. Ele afirma que a grade curricular da graduação não oferecia capacitação em programação, mas teve incentivos da família e buscou trabalhar com informática durante a faculdade para se desenvolver. “É imprescindível para o futuro saber de computação, nem que seja para análise estatística e de dados de experimentos”, diz. “Gerenciar dados é uma demanda que cresce e creio que minha experiência me preparou bem.”

No mestrado, ele associou informática com experimentos in vitro e, no doutorado, pretende fazer mineração genômica profunda de bactérias, com potencial de desenvolver soluções biotecnológicas. Todo o desenvolvimento acadêmico, porém, foi seguido de muito estudo relacionado a inovação de olho no objetivo de migrar para o setor privado. “Quero trabalhar em indústrias, aplicar meu conhecimento a algo prático para ajudar, principalmente, com o uso de produtos biológicos. O uso desenfreado dos defensivos químicos tem peso negativo no meio ambiente e o uso de produtos de origem biológica tem demanda cada vez maior, porque a pressão é do mundo todo”, diz.

Para Teixeira, a tendência é a inclusão de tecnologia e inovação na grade curricular de qualquer curso de graduação nos próximos anos. “Essa demanda vai mudar e os profissionais vão precisar de habilidades novas. Estamos no meio dessa mudança.” (colaborou Fabio Galiotto)

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