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OPORTUNIDADES

PPP com universidade abre caminho para novos produtos

Empresa privada lança solução que aumenta germinação de semente de milho mesmo com estresse hídrico após validação em pesquisa na UEL, em modelo ainda pouco usado pelo mercado
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Plântulas tratadas com solução da Alltech em teste de laboratório na UEL (Foto: Divulgação/UEL)

Os agricultores brasileiros que plantarão milho na segunda safra em 2021 terão à disposição um tratamento de sementes que permite maior absorção de água e aumento de 16,6% na germinação da planta, algo determinante para as culturas semeadas em períodos de escassez de chuvas como o inverno. O produto, uma solução natural à base de aminoácidos e extratos vegetais, é comercializado pela Alltech Crop Science, com sede em Maringá. Porém, foi desenvolvido em um modelo cada vez mais conhecido, mas ainda pouco utilizado: uma parceria público-privada (PPP) com a Universidade Estadual de Londrina (UEL).

O convênio foi firmado por meio da Fundação de Apoio ao Desenvolvimento da UEL (Fauel), que administra contratos para atividades que vão desde consultorias técnicas à elaboração de projetos de interesse público. A proposta é aproximar o ensino e extensão das necessidades de mercado e permite que startups ou empresas pequenas contem com conhecimento técnico e laboratórios para desenvolvimento de novos produtos.

Na PPP com a Alltech, o objetivo era que a UEL validasse um produto, com a chancela de uma instituição isenta e de credibilidade. Há ainda possibilidades como o desenvolvimento de patentes, a transferência de tecnologia e a chance de acesso a pesquisas já encaminhadas, entre outras. 

“Junto a uma universidade pública, conseguimos também trocar informações. São profissionais muito técnicos e conseguimos entender e receber conhecimento sobre situações que são recentes no mercado”, diz o engenheiro agrônomo Vinicius Abe, gerente de vendas da Alltech.

Abe afirma que procurou a UEL pelo reconhecimento da instituição em pesquisas com sementes, mas que não foi a única parceria que a empresa fez. Ele cita que a solução usa um princípio ativo do extrato de uma planta cultivada no México, que ajuda na produção de zinco e fortalece o desenvolvimento da raiz da plântula, o que facilita a absorção de água em períodos de seca. “A UEL fez todo o processo de pesquisa para entender se isso se comprovaria no campo, com toda a parte de trabalhos em laboratórios”, conta o gerente de vendas da Alltech.

O produto usado no estudo foi o Initiate, da linha Performance da Alltech Crop Science. A solução reduz estresses provocados por fatores ambientais, potencializa a absorção de água e nutrientes, promove melhorias no desenvolvimento inicial das plântulas, assim como maior uniformidade e incremento de biomassa de raiz. Segundo a pesquisa, a aplicação da tecnologia em sementes de baixo vigor, em peneira 18, permitiu um aumento de 16,6% na germinação.

Vale destacar que, durante o estudo, as sementes foram submetidas a um teste de envelhecimento, em que foram umedecidas e colocadas em alta temperatura, para ter perda de vigor.

TROCA VANTAJOSA

Lucia Takahashi, professora sênior na pós-graduação em agronomia da UEL e coordenadora do estudo, afirma que as sementes foram tratadas com a solução fornecida pela empresa e por outras, para testar os resultados. “Oriento trabalhos na pós-graduação e foi um dos meus alunos o responsável por ver se o produto tinha a funcionalidade que eles disseram que tinha. E o resultado mostrou que ajuda a manter a qualidade da semente”, explica. 

Ela destaca a importância da aproximação entre empresas e instituições públicas de pesquisa, porque facilita o aprendizado relacionado às necessidades do mercado e permite ganhos em insumos e equipamentos para as universidades. No caso dessa PPP, a Alltech fornecerá uma estufa de secagem, usada para sementes e outros materiais e apropriada para o laboratório de agronomia. “Se fôssemos buscar os meios tradicionais, com financiamento público, demoraria alguns anos para conseguirmos o mesmo equipamento”, cita Takahashi.

PPP

Graça Maria Simões Luz, diretora presidente da Fauel, afirma que tem aumentado a procura de empresas interessadas em desenvolver pesquisas com a UEL, processo que passa também pelo trabalho da Agência de Inovação Tecnológica da UEL (Aintec). Ela cita uma atuação maior com trabalhos que envolvem propriedade intelectual e com o desenvolvimento de produtos, como variedades de milho e um inseticida biológico voltado ao combate à dengue. 

“O que falta é exatamente um canal para que essas empresas tenham um conhecimento melhor sobre o acesso à universidade, de orientação, de como o conhecimento que a universidade tem pode ajudar uma empresa”, diz Luz. 

A diretora da Fauel lembra que os projetos podem envolver diversos centros de graduação e pós-graduação e cita uma parceria com a prefeitura de Londrina, que busca desenvolver modelos de melhoria nos processos internos com alunos de economia e administração. “Essa divulgação é fundamental, porque recebemos várias demandas de projetos financiados por órgãos federais, como editais do Finep (Financiadora de Estudos e Projetos, do governo federal), que o próprio empresário ou startup não sabe que existe a possibilidade de acessar esses recursos”, conta Luz.

A Fauel faz toda a gestão administrativa e financeira dos projetos de parceria, que podem ser demandados em contatos com professores, com a própria fundação ou com a Aintec. O órgão faz o orçamento, a compra de insumos e a contabilidade relacionada a bolsas para os pesquisadores. Em contrapartida, fica com um percentual como pagamento pelo serviço, já que se trata de uma entidade sem fins lucrativos e com fiscalização do uso de recursos. 

“As grandes vantagens para a universidade são o desenvolvimento de pesquisas voltadas para que empresas e instituições melhorem e cresçam, com desenvolvimento regional, o que mostra que a universidade colabora e devolve algo para a sociedade além da formação (de profissionais)”, lembra. Para professores e pesquisadores, o trabalho também conta pontos para o currículo acadêmico, o que facilita o acesso a programas de pós-graduação como de mestrado e doutorado. 

SERVIÇO

Interessados em propor uma PPP por meio da Fauel podem entrar em contato com a secretaria do órgão, por meio do telefone (43) 3321-3262 ou do e-mail fauel@fauel.org.br. A coordenadora de projetos é Marieli Cestari, que pode fazer a indicação de professores pesquisadores caso o proponente não tenha contato com os departamentos acadêmicos.

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