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Pesquisa de cimento autocicatrizante vira startup em Londrina

Pesquisadora desenvolve pó de bactéria misturado ao concreto ou em solução para aplicação em fissuras de paredes
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Imagem de observação em microscópio de cristais precipitados por bactérias que permitem fechamento de fissura (Foto: Reprodução)

Uma pesquisa de mestrado e doutorado na Universidade Estadual de Londrina (UEL) sobre produtos sustentáveis para o fechamento de fissuras estéticas em concretos e argamassas deu origem a uma startup, que já recebeu R$ 40 mil por meio do edital do programa Sinapse da Inovação. A Cimebio é a primeira a trabalhar com uma solução à base de bactérias com a função autocicatrizante em materiais cimentícios e já inspirou outros estudos.

Nicole Schwantes Cezario, sócia-administradora da Cimebio e pesquisadora na área de materiais cimentícios, trabalha para entregar dois produtos ao mercado. O primeiro é um tipo de bactéria em pó, para ser misturado ao concreto na construção de reservatórios de água, que corrige as fissuras que surgem com o passar do tempo. O segundo é uma solução bacteriana para ser usada com um borrifador em paredes e que permite o fechamento de rachaduras de até 0,2 milímetros de espessura em até três meses, com aplicações duas vezes ao dia.

“Fiz essa aplicação pensando em uma pessoa que sai de casa para trabalhar de manhã e volta no final da tarde, para que não tivesse que contratar um profissional para fazer essa intervenção. Mas, se aplicar mais vezes, fecharia de maneira mais rápida”, diz Cezario. 

O trabalho já foi apresentado para construtoras, concreteiras, engenheiros e técnicos da Companhia de Saneamento do Paraná (Sanepar) e está na fase final de desenvolvimento, antes da apresentação de resultados no Sinapse da Inovação, promovido pela Fundação Araucária. 

PESQUISA

A pesquisadora conta que desde a graduação em engenharia civil buscou uma forma de inovar, quando leu uma entrevista de um pesquisador holandês sobre bioconcreto, com adição de bactérias. Depois de graduada, seguiu com os estudos no mestrado e doutorado na UEL, nos quais desenvolveu a técnica para o autocicatrizante e encontrou como sócios para a startup a professora Berenice Martins Toralles e o pesquisador da área de microbiologia Leonardo Medeiros. 

Durante o mestrado, Cezario conseguiu uma parceria com pesquisadores de microbiologia e teve acesso a uma bactéria isolada de caverna, do tipo que influencia no processo de formação de estalactites e estalagmites, que são aquelas formações minerais em formato de cone, que descem do teto ou sobem do chão. Ela passou então ao doutorado e usa uma das bactérias que gera mais cristais, responsáveis pelo efeito autocicatrizante nas fissuras. 

“Estudo um metabolismo no qual a bactéria usa uma fonte de cálcio e uma fonte de carbono para precipitar os cristais de carbonato de cálcio”, diz. Ela cita que a pesquisa que desenvolve contrasta com outras que conheceu e que usavam a mesma técnica, mas com bactérias diferentes e que geram elevada carga de amônia, com efeito prejudicial ao concreto ao longo do tempo.

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Pesquisadora e sócia da Cimebio, Nicole Schwantes Cezario, faz testes em laboratório para solução autocicatrizante (Foto: Divulgação)

INSPIRAÇÃO

Cezario serviu também como inspiração para novos estudos na área. Letícia Belini Gulin, aluna de engenharia de materiais da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR), viu uma palestra da pesquisadora e buscou uma nova técnica para fazer o trabalho de conclusão de curso, com a orientação do professor Marcio Florian e coorientação de Cezario.

Gulin conta que estudou a aplicação da bactéria da mesma maneira, mas com a imobilização em sílica gel, para acelerar a ação autocicatrizante de fissuras e dar maior resistência à compressão para o material orgânico. “Ao imobilizar a bactéria em sílica, ela resiste por mais tempo em meio alcalino”, explica. “Pensando em larga escala, não consigo ver tantas barreiras para esse tipo de técnica, que é sustentável, porque a sílica é inerte biologicamente.”

O projeto foi um dos contemplados pelo edital de apoio à execução de trabalhos de conclusão de curso realizado pelas pró-reitorias de Graduação e Educação Profissional (Prograd) e de Relações Empresariais e Comunitárias (Prorec). Ainda, rendeu um artigo publicado pelos três pesquisadores envolvidos no International Journal of Advanced Engineering Research and Science (Ijaers, ou Jornal Internacional de Pesquisa e Ciência Avançada em Engenharia).

Para o orientador da estudante, pesquisas como a de Cezario e Gulin tendem a ser mais aceitas pelo mercado conforme os resultados apareçam. “Pode trazer vantagens econômicas em uma obra, tanto na questão de redução de gastos com manutenção ou até mesmo em segurança. Sem falar na questão ambiental, porque quando se usam selantes em uma trinca, com o passar do tempo se degradam e são jogados na natureza”, diz Florian.

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