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Passado valioso

Mercado retrô tem espaço para crescer em Londrina

Reportagem conversa com personagens que aquecem compra e venda de raridades
Reportagem conversa com personagens que aquecem compra e venda de raridades em games e consoles retrô

"Videogames do passado representam 15% do nosso faturamento", diz o comerciante Gabriel Modenuti (Foto: Victor Lopes/Futurista)

Ray Tracing, SSD, 120 fps, teraflops. A nova geração de videogames que chegou no mercado há poucos dias – Playstation 5, Xbox Series X e S – traz nomenclaturas técnicas que estão na boca dos gamers do mundo inteiro. Algo que se tornou bastante comum com a chamada “console war”, ou guerra de consoles, em que jogadores se digladiam para provar qual videogame chega mais poderoso no lançamento. Sony e Microsoft, cujo debate entre fãs vira quase um direita versus esquerda na política, brigam intensamente num mercado de US$ 148 bilhões, de acordo com dados da Newzoo, maior plataforma mundial de dados de mercado no setor.

Mas há um lado underground dos games, bem menos agressivo e mais afetuoso, mas também muito lucrativo. Jogadores que não olham para o que há de inovador mas, sim, para que o está empoeirado, talvez esquecido por aí. O mercado de games retrô, sejam consoles, fitas, CDs ou apetrechos raros, consegue atrair muita gente que amou videogames lá atrás e, para trazer esses sentimentos de volta, investe uma grana em tecnologias agora obsoletas, mas que não deixam de ser incríveis. Em Londrina, o Futurista conversou com personagens importantes que aquecem esse mercado, movimentando a compra e a venda de raridades na cidade.

A família Modenuti trabalha com comércio de games há mais de duas décadas. Em Londrina, a loja tem 11 anos e clientes na expectativa da chegada dos consoles novos, mas também aqueles que amam o mercado retrô. No grupo de WhatsApp dos clientes, quando pipoca a foto de uma raridade de 20 ou 30 anos atrás, os marmanjos lutam por uma fita ou controle raro, quase num leilão virtual improvisado.  “Trabalhamos com antiguidades desde que começamos, lá em 2009. Sempre houve algum tipo de demanda, mas agora temos um mercado próprio para atender”, diz o comerciante Gabriel Modenuti, que é formado em história na UEL e comanda os negócios com o pai e o irmão.

Na loja, uma espécie de museu com raridades ajuda a movimentar o negócio e hoje corresponde a 15% do volume total de vendas. “É um trabalho de certa forma complexo, porque nem sempre o que está por aí é vendável. Existem produtos raros, na caixa, com tudo original, mas também muito lixo. É preciso conhecer”, salienta Modenuti.

Enquanto a reportagem visitava a loja, em área nobre no centro de Londrina, um Famicom Family Computer, mais conhecido como NES japonês de 8 bits, da Nintendo, chega na loja por meio de uma cliente que trouxe do Japão. Na caixa, novíssimo, esquecido em algum apartamento por anos, o console de 1983 vale, pelo menos, R$ 1 mil. “Algo se torna valioso quando foi bom no passado ou quando temos dificuldade de encontrar. No caso da Nintendo, mesmo com uma produção alta, tem bons valores porque a demanda é aquecida”, comenta Modenuti.

Mesmo com o futuro direcionado à digitalização natural do mercado, inclusive com os jogos mídia física desaparecendo, o comerciante não acredita num esfriamento do mercado retrô e nem mesmo dos atuais consoles. “É claro que as empresas estão mais preocupadas com a sustentabilidade, a menor produção de lixo, é um argumento forte. Por outro lado, a procura por mídias físicas ainda é grande, dos colecionadores das gerações atuais e os retrôs. Na minha opinião, são pelo menos mais dez anos para rolar essa transição total.”

Afeto e negócios

Quem está nesse mercado, seja profissionalmente ou por prazer, tem uma característica em comum: afeto por esses videogames antigos. O advogado e colecionador Thiago Ridolfi é um desses casos. Em seu apartamento na zona sul de Londrina, há um quarto organizado para as raridades, com uma TV de tubo para jogar anos de histórias do games, milimetricamente organizados. Só o colecionador sabe o valor daquele quarto e prefere não revelar. “Vivemos hoje a era do 4K, discutindo frames, com uma tecnologia avançadíssima e que rende embates absurdos. E os retrô gamers vão na contramão disso, porque estã focado na nostalgia, que na minha opinião é um traço marcante dessa geração pós-moderna. O passado é agradável, traz uma ideia de felicidade e rompe com a loucura que vivemos hoje”, explica.

Ridolfi traça um perfil interessante do público retrô: homens ou mulheres na casa dos 30 anos, de classe média alta, que hoje têm salário, querem relembrar experiências da infância, mas que também jogam os videogames atuais. “A cultura pop trabalha muito com o sentimento da nostalgia e o mercado investe nisso, inclusive com remakes, consoles antigos mini ou coletâneas do passado para jogar nos videogames atuais. Ser colecionador no Brasil é muito difícil. É preciso lidar com achados esporádicos e com o Mercado Livre, que é o nosso ‘eBay’, com taxas elevadíssimas e preços absurdos”, conta o colecionador.

Rato de Mercado Livre

Formado em educação física e pequeno empresário, Fabio Kojo é um amante dos jogos antigos. Não gosta das gerações atuais e tem como hobby encontrar raridades no Mercado Livre a bons preços e colecionar ou, quem sabe, revender para fazer uma grana. Comprar um console antigo, depois encontra o isopor desse videogame, a caixa, o manual, juntando tudo ao longo de meses ou, talvez, anos, para depois comercializar a bons preços. “Além do prazer de reviver ‘aqueles tempos’, no meu modo de ver, essa forma de vivenciar o retrô através da comercialização pela internet não só gera um retorno financeiro, como nos traz acesso a muitos itens que no passado não eram fáceis de adquirir por questões financeiras.”

Essa busca começou há 15 anos, quando Kojo quis reviver um jogo antigo de Mega Drive e passou a colecionar e vender itens pelo Mercado Livre. “A memória afetiva dos tempos de infância e adolescência traz às pessoas boas lembranças, além da simplicidade e originalidade desses jogos trazerem até hoje diversão que a tecnologia dos consoles atuais parece não atender com a mesma intensidade.”

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