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Impressora e scanner 3D abrem mercado de peças customizadas

Grupo de metalurgia de Maringá investe em tecnologias para oferecer desenvolvimento de produtos personalizados e de serviços terceirizados
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Digitalização em 3D feita com scanner da suspensão do Camaro, da GM, para desenvolvimento de modelo com melhorias (Imagem: Reprodução)

O scanner e a impressora 3D, ou tridimensional, ficam cada vez mais acessíveis e hoje permitem que empresas desenvolvam protótipos e produtos customizados, com maior precisão e custo mais baixo. O barateamento dos equipamentos faz com que mais empresas invistam na produção, de olho em um mercado que deve crescer a cada ano em setores como engenharia, saúde e até mesmo produção de alimentos.

É o caso do grupo maringaense Ziober Brasil. Depois de investir em uma impressora 3D em 2013, para reduzir o gasto e o tempo para fazer protótipos de peças, a empresa passou a trabalhar em março deste ano com um scanner 3D. Assim, expandiu a área de atuação, que originalmente era de metalurgia e equipamentos para academias e parques ao ar livre. Além de uma linha de produção de acessórios e veículos automotivos para uso off-road, passou a prestar serviços terceirizados em áreas relacionadas à engenharia.

Pedro Henrique Ziober, engenheiro mecatrônico do grupo, afirma que cresceu muito a busca de outras empresas para o desenvolvimento de peças e soluções. Ele cita um sistema para tubulações antidengue, que consiste em uma portinhola que abre com o aumento do volume de água e se fecha automaticamente para evitar a proliferação do mosquito transmissor da doença.

Porém, é mesmo nas peças customizadas e nos projetos de engenharia reversa, com uso do scanner, que a Ziober começa a ganhar mercado. A empresa trabalha com a marca própria Rhino Off-Road e presta serviço para outras oficinas automotivas. “Hoje pensamos em dimensionar um setor da empresa só para essa área. Ainda é uma tecnologia pouco conhecida, mas ao longo do tempo vamos estruturar um setor só para isso”, diz.

A alta do dólar também trouxe mais clientes. “Muitos clientes passaram a querer fabricar peças que antes importavam. Não compramos o scanner 3D com esse objetivo, mas a demanda, as possibilidades e as necessidades do mercado são grandes”, conta Ziober.

Um dos projetos em desenvolvimento é uma suspensão reforçada, preparada para amortecedores de tamanhos diferentes, que tomam como ponto de partida as peças de um Camaro, da GM (veja na imagem acima). “Fazemos a digitalização em 3D, coletamos esses dados e analisamos o comportamento, como base para o estudo. Depois dessa análise, desenvolvemos o nosso modelo com melhorias”, explica.

Ele cita ainda o uso do scanner 3D para metrologia, na construção de gabaritos para peças, aferição e controle de qualidade. “Estamos em um mundo novo, com várias possibilidades. Estamos aprendendo muito e o pouco que aprendemos é muito amplo.”

COMO FUNCIONA

Por mais revolucionária que pareça, a tecnologia de scanner e impressora 3D não é nova. Rodrigo Nicola, professor de engenharia no Instituto Mauá de Tecnologia, em São Caetano do Sul (SP), afirma que Charles Hull registrou a primeira patente de impressora do tipo em 1986, com o lançamento do equipamento em 1988. Foram 30 anos até a quebra da patente, o que levou à popularização da ferramenta.

“Após esse período tivemos um boom, aumentou o interesse e hoje temos impressora 3D por 200 dólares (R$ 1 mil, na cotação de 21 de junho). Há quem pense que só serve para hobbista, mas isso não é verdade, porque abre possibilidades e temos um mercado pujante”, diz Nicola.

Ele explica que o modelo mais comum hoje é o FDM, sigla em inglês para deposição de material fundido. A partir de um modelo tridimensional digital, esse sistema usa um tipo de plástico derretido para formar o objeto, em camadas.

Há ainda a SLA, ou estereolitografia, pela qual a impressão 3D ocorre à base de resina líquida, curada por um sistema de lasers de luz UV, camada por camada. Assim, as peças ficam com melhor resolução e relevo pouco aparente.

Por fim, em escala industrial é mais usado o modelo SLS, ou Sinterização Seletiva a Laser. Apesar de também usar luz UV, nesse sistema a matéria-prima é em pó, o que inclui materiais metálicos. Assim, é possível obter peças mais resistentes.

No caso do scanner, ele resume como uma tecnologia que usa a aproximação ou toque em uma peça, por meio de câmera ou de sensores como radares ou infravermelho, para extrair uma nuvem de pontos da peça em si.

PROJEÇÕES

O professor afirma que um impeditivo para a produção em massa é a demora na impressão das peças. Já em modelos customizados ou em protótipos, diz que o uso da impressão é bastante vantajosa justamente por permitir o desenvolvimento de objetos metálicos a um custo mais baixo do que no modo tradicional.

“(A impressora 3D) Vai dar poder às pessoas que têm vontade de criar e torná-las pequenos empreendedores, porque cria uma rede de distribuição mais sustentável por reduzir o uso do transporte, ao desenvolver as coisas onde vão ser usadas. Isso é o nosso presente e a indústria vai continuar a evoluir, com peças com acabamento superficial perfeito, em aço ou liga metálica”, cita Nicola.

Também de olho no futuro, ele afirma que há muitas possibilidades para além da engenharia mecânica. “Podemos falar de impressoras de alimentos que usam uma pasta, um glacê, e já existem em confeitarias de pequeno porte para enfeitar bolos”, diz, ao lembrar que já existem testes para imprimir carne sintética.

Na medicina, o professor afirma que há o uso de impressão FDM com moléculas de prata, que seja asséptica, para produzir próteses personalizadas. ”Existe a possibilidade de imprimir pele humana. Essa é a parte do futuro, que está engatinhando.”

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