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Fiep aponta tendências para a indústria automotiva

Movimentos acompanham mudanças da sociedade em todo o mundo; no Brasil, setor tem capacidade técnica para segui-los, mas é pouco competitivo, diz federação
Indústria automotiva no Brasil tem capacidade técnica para seguir tendências, mas é pouco competitiva, diz Fiep

Indústria automotiva e de autopeças corresponde a 18% do PIB nacional, e o Paraná é um dos principais polos do país, com a segunda maior produção (Foto: Rodolfo Bührer/Fiep)

Direção autônoma, eletrificação e mobilidade compartilhada são as principais tendências que vão transformar a indústria automotiva e de autopeças nos próximos dez anos, segundo a Rota Estratégica para o Futuro da Indústria Paranaense-2031, lançada semana passada pelo Sistema Fiep.

A indústria automotiva e de autopeças corresponde a 18% do PIB nacional, e o Paraná é um dos principais polos do país, com a segunda maior produção automotiva (15% do total), segundo a Fiep.

Marília de Souza, gerente do Observatório Sistema Fiep, explica que as tendências foram mapeadas de acordo com os movimentos observados no setor automotivo pelo mundo. A direção autônoma já chega a veículos pesados e de passeio, assim como a eletrificação automotiva – mudança da matriz energética dos motores a combustão para tecnologias elétricas – está acontecendo em todo o planeta. A Europa é protagonista nesse movimento devido ao endurecimento das regras de limite de emissão de partículas de gás carbônico pelos carros. 

Embora criadas na Europa, as regras impactam o mundo inteiro. “O setor automotivo é global. Para você vender carro na Europa, o automóvel tem que responder às regras e legislação europeias.”

Existem projetos de longo prazo na Europa para abolição desses motores em 2035. “O que acontece é um grande movimento global que altera a matriz energética: as indústrias terão que mudar se quiserem que seus carros continuem a circular em uma dinâmica global. Se quisermos exportar para esses mercados, teremos que atualizar os nossos automóveis e a matriz energética que esses carros utilizam.”

A mobilidade compartilhada – como o uso de aplicativos de transporte ou locação de veículos – acompanha a mudança de comportamento da sociedade à medida que a posse de um automóvel deixa de ser um desejo da sociedade. “Durante muito tempo, nossas sociedades tiveram um grande apreço pela propriedade do automóvel. Nessa nova geração, o movimento que se vê no mundo é que pouco importa ter um carro, e sim se locomover de um lugar a outro em tempo adequado.”

A intolerância ao consumo de álcool combinada à direção contribui para esse movimento, observa Souza. “Isso está dentro de um grande contexto de mudança da sociedade, que tem regras mais severas para quem está dirigindo. É um grande movimento de transformação que tende a crescer cada vez mais, em que importa mais ir onde você quer ir pelo menor tempo e menor gasto energético possível. Se tudo isso puder ser suprido por um serviço, tanto melhor.” 

Marília de Souza, gerente do Observatório Sistema Fiep: “Tecnicamente, temos condição de acompanhar o movimento global, todavia, não somos competitivos globalmente nesse mercado que é altamente competitivo” (Foto: Divulgação/Fiep)

A indústria automotiva do Paraná tem capacidade técnica de acompanhar essas tendências, até porque elas são globais e já seguem diretrizes internacionais. O problema é que no país os custos de produção são altos, o que impacta o custo final do produto e, consequentemente, o seu consumo.

“O problema é que os impostos, as taxas, os tributos são escorchantes. Tecnicamente, temos condição de acompanhar o movimento global, todavia, não somos competitivos globalmente nesse mercado que é altamente competitivo.”

Depois de cem anos de história no Brasil, a Ford anunciou no dia 11 de janeiro que encerraria a produção de veículos em suas fábricas no país, localizadas em Camaçari (BA), Taubaté (SP) e Horizonte (CE). “A Ford diz que isso está alinhado à estratégia global da empresa, mas poderia ter sido diferente se o Brasil fosse mais atraente. Se fôssemos mais atrativos, teríamos permanecido na estratégia global da empresa. Quando a empresa fala sobre escolhas e precisa sobreviver a um mercado altamente competitivo, ela vai buscar mercados mais competitivos.”

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