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INDÚSTRIA

Aceno conquista aporte e vai para segmento industrial

Empresa que ficou conhecida pelo sistema de atendimento em restaurantes e lanchonetes teve projeto aprovado em programa da Finep
Empresa londrinense conhecida pelo sistema de atendimento em restaurantes e lanchonetes, Aceno teve projeto aprovado em programa da Finep

Os irmãos Lucas e Tiago Lone, fundadores da Aceno (Foto: Divulgação)

Há cerca de 15 anos, a Aceno, uma pequena empresa de Londrina, não imaginava o potencial que o seu sistema de atendimento inicialmente instalado em bares, restaurantes e lanchonetes teria no mercado. O sistema consiste em um dispositivo sem fio com um botão que é colocado nas mesas de estabelecimentos food service para que os clientes possam solicitar atendimento. Quando o botão é acionado, o número da mesa aparece em um painel para que o estabelecimento consiga identificar de onde vem o chamado.

Já conhecido do setor de alimentação, o sistema foi uma invenção dos irmãos Lucas e Tiago Lone. Quando fundaram a empresa, 19 anos atrás, ainda eram estudantes de engenharia elétrica (Lucas) e computação (Tiago). Na época, os irmãos trabalhavam com desenvolvimento de projetos.

“Descobrimos pelo mercado que este era um produto poderoso”, conta Lucas Lone. “Foi uma criação nossa, que colocamos no mercado e descobrimos com o tempo que era muito positiva para os nossos clientes.”

Por cerca de oito anos, a Aceno manteve foco no produto, especialmente no segmento de food service. A partir de agora, a empresa espera um crescimento mais intenso, com a entrada em outros segmentos de mercado.

Embora o sistema também já seja utilizado nos segmentos de varejo – em supermercados e lojas de departamento, por exemplo – e de saúde – como para chamada de enfermeiros em hospitais e em casas de repouso -, a Aceno volta os olhares para o segmento industrial, principalmente agora, que conquistou um aporte de R$ 1,4 milhão no programa Rota 2030 Empresarial, da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), voltado ao desenvolvimento de produtos, processos e serviços inovadores para a cadeia automotiva por empresas brasileiras. Os recursos são da Finep, do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações (MCTI) e do Ministério da Economia.   

NOVO MERCADO

“Ao longo dos últimos anos, incontáveis gerentes industriais de linha de produção viam os sistemas nos restaurantes e se questionavam como não melhorar as suas linhas de produção com uma solução tão objetiva e prática”, afirma Lone.

Na indústria, o botão da Aceno pode ser utilizado para chamar um supervisor, suporte técnico ou empilhadeira no chão de fábrica. Por ser um ambiente mais dinâmico, ruidoso e com distâncias maiores, será preciso utilizar tecnologias mais avançadas e robustas de comunicação sem fio.

A empresa também pretende aprimorar o sistema integrando-o aos computadores, para que os gestores das indústrias tenham em mãos relatórios das chamadas em tempo real para otimizar a linha de produção. Geolocalização, sensores inteligentes e câmeras serão integrados ao sistema para que as decisões sejam tomadas inclusive com mais precisão e visão computacional.

As montadoras de veículos são um cliente potencial, e segundo Lone, algumas já estão dispostas a testar as novas versões do sistema. “Na prática, grandes linhas de produção que acabam tendo os maiores problemas. São áreas enormes com uma dificuldade tremenda de comunicação. São vários funcionários operando incontáveis máquinas. Tem uma dinâmica de reposição de matéria-prima, de retirada de peças semiacabadas de linha de produção, às vezes um problema técnico que demanda chamada de suporte técnico, uma máquina que deu problema e tem que chamar o TI, uma dúvida tem que chamar o supervisor. Um cenário bem mais complexo que esse ambiente de alimentação onde o cliente quer pedir a comida, um cardápio ou fazer um pedido extra.”

A expectativa é que, com o aporte e o desenvolvimento do produto para o segmento automotivo, a empresa parta para a exportação. Os recursos da Finep serão inclusive destinados às certificações para atender às exigências dos mercados internacionais. 

“Esperamos que o investimento nesse projeto com apoio da Finep possa multiplicar em uma ordem de grandeza o nosso faturamento”, ressalta Lone. “Hoje, nosso faturamento está dentro do (regime do) Simples, em torno de R$ 1,5 milhão ao ano. Temos que multiplicar por dez numa janela de cinco a seis anos. É a meta de retorno desse investimento todo que envolve uma atividade em período integral de todo mundo da empresa para repaginar nosso posicionamento no mercado.”

GOVERNANÇA

Para Eduardo Ribeiro Bueno Netto, consultor do Serviço Brasileiro Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae/PR), a aprovação da Aceno no programa da Finep mostra o potencial inovador da empresa. “É uma empresa que tem um passado fantástico, não foi da noite para o dia captar R$ 1,4 milhão. É raro ver empresas com o potencial inovador deles.”

Lone, que também integra o Inovemm – Ecossistema EletroMetalmecânico, lembra que o trabalho da governança do setor eletrometalmecânico de Londrina foi fundamental para que a empresa conquistasse o aporte da Finep. Foi por meio de um evento realizado pela entidade que os sócio-fundadores tiveram acesso a informações determinantes para a aprovação no processo.

Nesse sentido, Lone reforça a importância de participar de processos de seleção de financiadoras como a Finep. “São recursos financeiros que existem disponibilizados no Brasil. Se ninguém de Londrina corre atrás, outras empresas país afora vão e o dinheiro fica onde costuma ficar na maior parte das vezes, que é nas capitais e em alguns outros centros, sendo que nós temos potencial para trazer esse tipo de recurso para cá.” 

Alinhado a outra missão do Inovemm, a Aceno também incluiu no projeto submetido à Finep atividades em conjunto com as universidades. A integração entre mercado e academia, junto com o estímulo à captação de recursos e a promoção da melhoria dos processos na indústria, são as principais missões da governança do eletrometalmecânico.

LEIA MAIS:

Inovemm dá novo impulso à eletrometalmecânica

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